O Presidente da República sabe que não é o pai dos portugueses mas tem, como é natural, preocupações com todos nós.
E viu-se isso no recente colóquio em que participou, em Madrid, e onde pediu para que os espanhóis nos deixassem ganhar um concurso, o que "seria psicologicamente muito bom" para a nossa economia.
E tem razão o PR porque sabe que isto por estas bandas anda muito mal.
Compreendo perfeitamente a intenção de Jorge Sampaio porque quando o meu filho era pequeno jogávamos muito à bola e ele queria ganhar sempre, mesmo com falcatruas.
A minha reacção era (ou pretendia ser) educativa. Uma vez por outra eu não o deixava ganhar. Ele ficava furioso. Considerava-se o mais poderoso.
Resta agora saber se os espanhóis nos deixam ganhar...
Publicado por dizerbem em novembro 8, 2003 12:00 PMO Presidente da República não é, nem ele quer ser, o pai dos portugueses, e as suas preocupações são o direito e o dever de um Presidente da República (de qualquer República!) sério, honesto e patrióta.
Desculpe, mas o Presidente da República não pediu nada aos espanhóis.
Também era o que faltava!!! Somos pobrezinhos, mas não andamos à esmola!!!
Além disso, nunca se deve pedir a quem nos rouba,
como acontece hoje em dia em diversas áreas da economia e dos nossos recursos!
O que ele fez, foi dizer aos espanhóis que o comportamento deles é exactamente o contrário do espírito para que foi criada a CEE - Comunidade Económica Europeia, enquanto projecto económico comum, e, que é mais assemelhado ao projecto da UE - União Europeia, enquanto projecto político.
Isto é, o projecto político assenta na existência do poder económico.
Não percebi o que pretendeu dizer-nos quando fez a semelhança dos tempos em que jogava à bola com o seu puto.
Mas, já agora, diga lá, era ele que queria ganhar sempre, mesmo com falcatruas, ou... era você que ganhava sempre porque era o adulto, e logo o mais forte? Diga lá a verdade, verdadinha.
Pois que, quanto a você o deixar ganhar uma vez por outra... é, exactamente, a resposta ao que lhe perguntei.
Agora ouça, se os espanhóis nos deixam ganhar alguma coisinha? ... não ganhe você, e vai ver as "vitórias" que tem!!!
Afixado por: ISAURINDO ABEGÃO em novembro 8, 2003 12:54 PMAfinal faz a pergunta mas sabe a resposta.
Acontecia isso mesmo. O puto ganhava para perceber que se luta por um objectivo, embora ele não tivesse a noção da diferença entre os «competidores».
Quando eu me «impunha» era para ele perceber que na vida nem tudo são facilidades.
Claro que os espanhóis não nos dão nada, nem queremos.
Queremos é ter capacidade de organização para poder competir com eles ou com qualquer outro.
E nesse capítulo os de baixo dependem dos de cima.
Em separado para que se perceba:
O Presidente da República, que falou em castelhano disse: - «Por favor, uma vez podemos ganhar um concurso. Uma vez. E isto seria psicologicamente de uma enorme importância».
E segundo relatos da comunicação social o PR "focou o contexto empresarial como um dos que se vê claramente a desproporção. Segundo Jorge Sampaio nenhuma empresa lusa ganhou nunca um concurso público em Espanha «apesar da solidez financeira das ofertas, coisa que não aconteceu no sentido inverso, uma vez que as empresas espanholas ganham todos os concursos que se fazem no meu país»".
Caro Dizer_Bem, o nosso Amigo Isaurindo Abegão tem toda a razão.
Quando em qualquer jogo entre filhos e pais, aqueles "ganham", não é para que entendam que para se ganhar há que ter a noção de objectivo ganhador.
Quando entre pais e miúdos, estes ganham... é, pura e simplesmente, porque os pais os deixaram ganhar! Porque entendem que assim eles ficam muito contentes e pensam que são gente crescida.
Tal ganhar, também serve para os pais pensarem que, com essa atitude de voluntários derrotados, fazem um exercício de que os miudos hão-de ganhar valores e propósitos para objectivos que, aos próprios pais, neles se revejam.
Porém, nem os espanhóis são nossos pais, nem nós queremos ser filhos deles.
Para uns e para outros, já essa de "nuestros hermanos" é cá uma treta do camandro!
Afixado por: ZÉZINHO em novembro 8, 2003 03:22 PMA questão que se levanta, quanto ao facto de nenhuna empresa portuguesa ganhar um único concurso público em Espanha, é que para os espanhóis... primeiro estão os espanhóis!
Para nós, portugueses, tanto se nos dá como se nos deu. E, o pior exemplo vem muitas vezes do próprio Estado (último exemplo: Bombardier v. Sorefame).
Outros exemplos: Política Agricola Comum; Política de Pescas; Comboio de Alta Velocidade; Programas de Desenvolvimento Transfronteiriço;
Políticas de Desenvolvimento de Estruturas Marítimas; Política de Desenvolvimento de Recursos da Água e dos Solos, etc, etc, etc.
O importante é que... se o salário mínimo em Espanha é igual àquele que se recebe em Portugal ou, se os vencimentos dos políticos em Espanha são iguais ao dos políticos portugueses, e se uns e outros estão em conformidade com o que produzem e pelas opções que defendem.
Afixado por: ZÉZINHO em novembro 8, 2003 03:33 PM